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Pensamento interessante- As fases na vida do professor

Roland Barthes (…) disse uma coisa muito interessante: que a vida de um professor se divide em três fases. (Na verdade, ele falou vida de um professor por modéstia, era a vida dele que se dividia em três fases.) Na primeira fase, ele disse, a gente ensina o que sabe. (…) Então ele diz: mas a gente vive um pouco mais e começa a ensinar as coisas que a gente não sabe. (…) Mas como é que a gente pode ensinar aquilo que a gente não sabe? Imagine que a minha filha me pergunte: pai, onde é que fica a Rua Sampainho? Sampainho é uma rua lá em Campinas. Então eu digo a ela: não sei onde fica a Rua Sampainho, mas na lista telefônica tem uma série de mapas, você procura o nome da rua, na lista dos endereços, e lá tem indicação do mapa e você vai achar.

Eu não sei onde é a Rua Sampainho mas, apesar de não saber, ensinei minha filha a achar a Rua Sampainho. Essa é uma das coisas mais lindas sobre a vida de um professor. Não é aquele professor que sabe o programa, isso é banal. Os programas estão em livros, os professores que sabem o programa vão desaparecer: eles serão substituídos por disquetes, programas e livros. Mas ensinar a encontrar é a coisa mais importante: isso tem o nome de “fazer pesquisa”… é isso que a gente faz, não é? Quando a gente está ensinando a fazer pesquisa, está ensinando a coisa que a gente mesmo não sabe. O orientador da pesquisa é aquele que não sabe nada, quem sabe é o aluno, o aluno vai lá, visita a coisa, vem e conta para o professor e o professor aprende. Na situação de pesquisa, o orientador se torna aluno do aluno que faz a pesquisa.

Referência: Rubem Alves na Palestra: Educação para a cidadania. Congresso Educação e Transformação Social, SESC Santos – maio/2002.

Mensagem de Ingrid Biachini na lista CVL, 7 de junho de 2007.


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